quarta-feira, 2 de março de 2011

CONTO DE CELESTE



Ao som de uma melodia macabra, encontra-se o medo que muda de máscara.
Ele a joga no chão e ali a domina em meio à dor e ao desespero.
Mas ela o mata, pobre menina, que agora carrega nas costas o seu pecado.
Ela guarda em si o seu segredo e esconde-se em sua vida monótona. Mas a noite quando vai dormir, sente o toque frio, como o beijo da morte que sorrindo lhe diz: “obrigado, você facilitou o meu trabalho.”
Então ela acorda, não há nada, seu mundo é cinza e ela deseja somente um pouco de serenidade, mas não há então ela pensa em fugir... Mas como fugir de si mesma?
Então ela pega o caderno, sua compulsão por escrita aumenta, ela acaba o papel e começa a escrever nos lençóis, seus pais tentam pedir que ela pare com isso, mas agredi-los é o seu modo de não fazê-los sofrer.
Ela sai de casa e encontra algo que a faça se esquecer de tudo, algo que a traga um pouco de paz... Mas quando menos espera está viciada... Uma dose... Duas doses... Mesmo assim não é o bastante. Então ela é requisitada para algo que ela não pensava em fazer, a segunda morte, e ela se ilude que é uma profissão qualquer.
Um dia, quando menos espera, sua mãe que sofria com dores de cabeça, descobre que tem um tumor no cérebro, e uma semana depois, morre. Após a morte de sua mãe, seu pai, revoltoso, a renega. Em um beco escuro e solitário ela escreve suas últimas palavras, e depois de injetar sua libertação, cai ali mesmo, e morre sozinha.
Celeste Vicentino é encontrada em um beco ao lado de um papel com as suas últimas palavras:
Pai, perdoa-me, quando encontrar esta carta,espero estar ao seu lado, mas se não estiver peço que se lembre de mim, fale a todos que fui alguém bom, um último favor pai, lembre-se: a vida é uma palavra simples, mas é o bem mais valioso que tens, não culpe a morte, pois ela só é a testemunha nas atitudes sórdidas, nos domínios dos homens!”




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